Doria amplia restrição às motos para tentar conter mortes na marginal Tietê

LAURA LEWER, COLABORAÇÃO PARA A FOLHA, E PAULO GOMES - FOLHA DE S. PAULO

Após oito mortes em acidentes de moto neste ano nas marginais, a gestão João Doria (PSDB) passa a proibir neste sábado (13) a circulação desses veículos das 22h às 5h na pista central da Tietê, na sua principal aposta para tentar conter a alta de acidentes com vítimas nessas vias.

A proibição valerá inicialmente no sentido Castelo Branco/Ayrton Senna, mas será ampliada no sentido oposto a partir do dia 27 de maio.

A multa de R$ 130,16 aos infratores, no entanto, só será aplicada em data posterior, após etapa educativa.

Como as motos já são proibidas de circular pela pista expressa desde 2010, na prática elas só poderão rodar no final da noite e madrugada pela pista local, com limite de velocidade de 60 km/h.

Depois da elevação dos limites nas marginais Tietê e Pinheiros pela gestão Doria, em 25 de janeiro, houve nove mortes nessas pistas, oito envolvendo motos e um pedestre.

A última morte foi registrada nesta sexta-feira (12), na marginal Pinheiros: uma mulher caiu de uma moto por volta das 3h45, no sentido Interlagos, perto da ponte do Morumbi; outra vítima que estava na moto foi socorrida.

O novo veto na pista central (que só existe na Tietê, e não na Pinheiros, que só tem expressa e local), segundo a prefeitura, visa "reduzir acidentes e garantir a segurança dos motociclistas, que estão presentes em 80% dos acidentes com vítimas".

Nos dois meses seguintes ao aumento das velocidades máximas, os acidentes com vítimas subiram 51% nas marginais, segundo dados da PM.

O crescimento de casos com motos chegou a 60% –há mais de três acidentes por dia nessas vias com motociclistas feridos. Mas houve elevação ainda entre carros (10%) e caminhões (108%), além de atropelamentos (300%).

A gestão Doria nega relação dos acidentes com a alta dos limites de velocidade.

O Sindimoto SP (sindicato dos motociclistas) critica a decisão de restringir as motos.

"O problema não são as marginais, são vários motivos. Uso de álcool e drogas, falta de habilitação. Fica difícil de resolver essas situações com restrições sem entender que cada acidente é causado por um fator diferente", diz Gil Almeida, do presidente do Sindimoto SP.

O consultor em transportes Flamínio Fichmann avalia que a medida é necessária.

"Não adianta cuidar dos carros, ônibus, e não prestar atenção no principal ingrediente. Prefiro que os motociclistas circulem em vias alternativas de forma mais segura do que nas marginais de forma mais arriscada", diz.

Matéria publicada na Folha de S. Paulo.