Ruas e espaços públicos são os lugares onde mais ocorre esse tipo de situação. Levantamento mostra ainda as medidas que devem ser adotadas para enfrentar o problema e a percepção de homens e mulheres sobre a divisão de tarefas domésticas.
O Instituto Cidades Sustentáveis e a Ipsos-Ipec lançaram os resultados da Pesquisa Viver nas Cidades: Mulheres 2026 na última quinta-feira, 05 de março, em evento presencial no Sesc 14 Bis. O levantamento que mostra a percepção da população em dez capitais brasileiras sobre temas como assédio e divisão de tarefas domésticas entre homens e mulheres.
O evento contou com a apresentação dos resultados pelo Ipsos-Ipec e debate sobre o tema com a presença de Naiza Bezerra, Coordenadora de Políticas para Mulheres na Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania da Prefeitura de São Paulo; Fabíola Sucasas, Promotora de Justiça coordenadora do Núcleo de Inclusão Social – Direitos Humanos do Centro de Apoio Cível e Tutela Coletiva do MPSP; Sergio Barbosa, Coordenador do Programa de Responsabilização de homens autores de violência contra a mulher do Coletivo Feminista Sexualidade e Saúde e mediação de Manoela Cruz, comunicadora socioambiental.






Assédio e combate à violência contra a mulher
O trabalho entrevistou 3.500 pessoas de forma online, nas seguintes cidades: Belém, Belo Horizonte, Fortaleza, Goiânia, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo. Considerando o total da amostra, 71% das respondentes disseram que já sofreram algum tipo de assédio em pelo menos um dos seis locais pesquisados.
Ruas e espaços públicos são os lugares onde mais ocorre esse tipo de situação. Em seguida, aparecem o transporte público e o ambiente de trabalho. Os números apresentam variações de acordo com a capital, mas a proporção de mulheres que sofreu assédio permanece alta e estável nas dez cidades.
A pesquisa abordou também as ações e medidas prioritárias que devem ser adotadas para combater a violência contra as mulheres, na percepção dos respondentes. No total da amostra, aumentar as penas contra os agressores aparece em primeiro lugar, seguida pela ampliação dos serviços de proteção às vítimas em todas as regiões da cidade. “Podemos e devemos fazer muito mais para enfrentar a violência contra a mulher. Além de punir os infratores, ampliar os canais de denúncia e promover campanhas, precisamos criar políticas públicas efetivas, que de fato promovam uma mudança estrutural na sociedade”, diz Jorge Abrahão, coordenador-geral do Instituto Cidades Sustentáveis.
Divisão de tarefas domésticas
O trabalho apurou ainda como homens e mulheres percebem a divisão de tarefas domésticas. No total da amostra, quatro em cada dez respondentes dizem que os afazeres de casa são responsabilidade de todos, mas as mulheres fazem a maior parte.
Os números variam pouco entre as capitais, mas a percepção muda de forma significativa quando se observa o recorte por gênero: 32% dos homens reconhecem que as mulheres fazem a maior parte das tarefas, embora a responsabilidade seja de ambos; entre elas, esse percentual sobe para 44%. Ainda, 47% dos homens acham que as atividades domésticas são divididas igualmente, percentual que cai para 28% entre as mulheres.
